Aventura no Meio da Selva

"Passamos por uma patrulha, que nos mandou parar, mas o condutor não fez caso, seguiu. Ainda ouvimos o som de disparos, mas como íamos de luzes apagadas, havia muitas arvores, a estrada era bastante sinuosa, não fomos atingidos por nenhum dos disparos. Aí sentimos medo mesmo, nem imaginamos o que nos poderia ter acontecido"

 Uma das noites saímos dirigimo-nos ao cimo do morro, onde ficavam dois botequins, que pomposamente os locais chamavam de discotecas. O seu interior estava enxameado de moças que procuravam um par, para poderem angariar algo para a sua subsistência.

Os dois marujos engraçaram-se com duas moças, que após beberem umas cervejas juntos, decidiram ir para outro local para acabarem a noite em beleza. Elas indicavam que o hotel era o indicado, mas pelo aspecto era uma autêntica espelunca, corriam o risco de apanhar, pulgas, percevejos ou até chatos.

Perguntaram se não era melhor ir para casa delas. Elas acederam, apanharam um táxi. Viviam a cerca de uns quinze minutos, o caminho era por uma estrada de terra batida cheio de buracos, onde mal cabia o carro, literalmente no meio da selva.

Chegaram, a casa, era um pequeno cubículo, só de uma divisão, que não teria mais de seis metros quadrados. Tinha uma pequena mesa rectangular, com um pequeno fogão em cima, mais meia dúzia de utensílios de cozinha e duas esteiras no chão de cimento nú. Era de uma pobreza franciscana, com as paredes de adobe, tecto de colmo.

Não fosse o estado etilizado em que se encontravam teriam desandado imediatamente dali para fora.

Acomodaram-se os quatro nas duas esteiras que estavam no chão. Ele mesmo na escuridão viu uma catana, que estava em cima da mesa, sem as moças verem, escondeu-a debaixo da esteira, para ficar ali mesmo à mão, em caso de haver necessidade. Afinal estavam num lugar que desconheciam, que de repente se podia tornar hostil, havia ali por perto mais uns quantos cubículos.

Ele mais a moça que o acompanhava, lá foram fazendo pela vida, enquanto que o parceiro mesmo ali ao lado se queixava que não conseguia, levar a bom termo a “missão” naquelas condições.

Com uma certa dificuldade, a missão foi concluída, deixando eles os dois, todo o cubículo para o par que estava com alguma dificuldade na concretização da “missão”.

Vieram os dois para a rua, como Deus os deitou ao mundo, sentando-se numa pedra que ali existia, funcionando de banco.

A luz que a lua reflectia por entre os ramos das arvores mostrava um contraste fantástico. Ele branco com a neve, ela negra com carvão. Os vapores do álcool, já se tinham dissipado parcialmente, um longo arrepio percorreu-lhe o corpo ao aperceber-se na situação em que se tinham metido.

Se por acaso as moças fossem de má índole, ou por ali aparecessem alguns bandidos, poderia o desfecho final ser trágico para nós. No meio da selva despareceriam sem deixar rasto, só por mero acaso os voltariam a encontrar.

O colega conseguiu finalmente levar o navio a bom porto, veio para o exterior do cubículo. Dissemos às moças que queríamos ir para o navio, como é que saíamos dali. Uma delas foi chamar um amigo para nos transportar, mas fizeram questão de nos acompanhar ao portão, disseram que era perigoso irmos sozinhos. AÍ sentimos algum receio.

Montamos os cinco no decrepito carro, o condutor á frente e nós os quatro no banco de trás. O condutor foi sempre muito devagar de luzes apagadas, até que a certa altura, como íamos já a descer em direcção ao porto, mandou-nos baixar as cabeças, desligou o motor, foi deixando o carro ir por inércia.

Passamos por uma patrulha, que nos mandou parar, mas o condutor não fez caso, seguiu. Ainda ouvimos o som de disparos, mas como íamos de luzes apagadas, havia muitas arvores, a estrada era bastante sinuosa, não fomos atingidos por nenhum dos disparos. Aí sentimos medo mesmo, nem imaginamos o que nos poderia ter acontecido.

Finalmente chegámos ao portão do porto, assim que o transpusemos e entrámos no navio sentimo-nos novamente em segurança.

Topo